domingo, 2 de janeiro de 2011

A imprensa com a barba de molho


Nada ficará impune. Assim acreditam os justiceiros, movidos pelo sentimento da legalidade e da razão. Se a grande mídia aposta na impunidade de suas ações é preciso que reformule sua conduta e suas estratégias.

Pesquisa Ibope, que - entre os meses de julho e novembro - ouviu 2.002 pessoas para compor o seu Índice de Confiança Social (ICS) em 22 segmentos, revela a queda da confiabilidade na imprensa brasileira.

De 71% para 67%, os brasileiros passaram a confiar menos na imprensa brasileira. Despencou da 4ª para a 7ª colocação e acabou ultrapassada pela figura do presidente Lula, que cresceu três pontos e foi a 69% - aí deve-se diferenciá-lo da instituição “governo federal”, que chegou a 59% no ICS. Os números foram revelados por Rafael Motta no Observatório da Imprensa.


Os dados servem como alerta à irresponsabilidade da grande mídia, ávida e com sinais de desespero na defesa de seus pupilos eleitorais. A farra encabeçada por Veja – que escancarou sua linha editorial como meio de persuasão num puro sofismo desvairado – encontra-se cem um repleto antagonismo à linha mestra do jornalismo. O poder do convencimento se dá pela ação fidedigna ao contexto político-social dentro de um prisma na qual a objetividade se faz como instrumento indispensável.

O avanço da internet e o consequente florescimento de canais de discussão e propagação da informação mina a pretensão dos barões da mídia de um controle autoritário e manipulador da informação. O olhar vigilante retira-os o poder da verdade absoluta e da restrição do material informativo como meio privilegiado de uma minoria capitalista.

A insistência na “linha burra” constitui um suicídio desenhado e agora caracterizado metodicamente como elemento sinalizador. Veja, Estadão e Folha de S. Paulo materializam-se como porta-vozes desesperados a serviço de segmentos da sociedade em detrimento da sua função ideal, qual seja o de organismos informativos que compõem a estrutura organizacional de uma sociedade democrática.

Talvez conscientes de uma nova função dentro de um novo contexto organizacional da mídia, a grande imprensa parece incumbida de marcar-se como peças sectárias que compõem uma nova estrutura, na qual os componentes se colocam de forma explicita no tabuleiro social. Exemplo disso é o posicionamento em editorial do Estadão em favor de José Serra na eleição presidencial.

Entretanto, parecem não direcionarem suas ações num patamar de tal racionalidade à medida que operam pela linha apelativa desenfreada e rançosa. Muitas vezes caracterizadas pelo desequilíbrio visível no tratamento da informação.

A grande imprensa está nua e sob os olhares vigilantes da internet. Por isso mesmo, seus protagonistas deveriam se conscientizar da responsabilidade de suas ações, não somente quanto às suas empresas jornalísticas, mas a uma instituição maior: a própria imprensa.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ondas da política




A conquista da presidência da Câmara Municipal de Alfenas pelo PT tranquiliza ainda mais o Governo local. Desde que assumiu o comando do município, o prefeito Luiz Antônio da Silva, o Luizinho, vivencia um cenário de completo domínio político na Casa.

A atual legislatura, que já não demonstrava sinais de resistência às ações do Governo, então comandado pelo antigo prefeito Pompilio Canavez, manteve o tom governista. As poucas vozes que ressoam da oposição não têm força efetiva para mudar as decisões em plenário.

O poder da atual legislatura, “de incomodar” o governo, está, aliás, bem abaixo da antiga, que já era alvo de críticas. Foi naquela época, por exemplo, que o Legislativo protagonizou momentos de tensão política entre os grupos locais: a CPI barrada na Justiça foi o auge do cenário passado.

Até agora a atual legislatura não teve força e nem iniciativa para nenhum ato real que ultrapassasse a linha do discurso acalorado.

Mas porque então a necessidade do comando da Casa, sem a possibilidade de um novo líder com o mesmo vigor na defesa do governo?

A candidatura do atual prefeito em 2012 é dada como favas contadas no meio político. Ao mesmo tempo em que atrai a defesa fervorosa de militantes, também desperta o ódio dos inimigos. É sabedor que não gozam da mesma base de sustentação popular que seu antecessor e a oposição sabe disso.

É exatamente aí que mora o perigo. Atento a todos os movimentos, o mentor governista – encarnado na figura do prefeito - sabe aonde está a sua fragilidade, mas sabe também como neutralizá-la e o caminho para revertê-la.

Neste caminho, a segurança de ter como seu sucessor imediato alguém de confiança, fiel ao projeto encabeçado por ele, é vital.

A presidência em mãos “erradas”, ou não tão confiáveis, poderia trazer incertezas e montar o cenário perfeito para o que os governistas costumam chamar de “conspiração” para o golpe. Criar clima e condições favoráveis para a dança da cadeira seria a obsessão dos adversários.

O atual prefeito sabe que precisa fortalecer a sua imagem. E até aqui parece que as ondas da política conspiram a seu favor. Não foram poucas as recentes e decisivas vitórias: as eleições de Dilma na Presidência da República e de Pompilio na Assembleia, e agora – como a cereja no bolo – a conquista do comando da Câmara de Vereadores.

Nada na política é decisivo ou tão sólido que não possa ser mudado, mas as ondas favorecem o projeto do atual prefeito, que tem agora todo um cenário cenário a seu favor.

Charge: Erick Vizoki

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

E agora José?


A derrota de José Serra abre uma ampla oportunidade para que um dos principais partidos da República possa planejar suas estratégias e mais do que isto: rever até mesmo seus conceitos programáticos. Para onde caminharão os tucanos?

Esta é uma resposta procurada por analistas políticos que arriscam nos palpites. Está em jogo a própria sobrevivência de correntes ideológicas que saíram da disputa fragilizadas.

A acomodação interna das forças políticas dentro do ninho tucano é algo que parece se desenhar. O discurso pós-derrota aponta na direção da renovação como necessidade.

Um cenário propício para lideranças como a de Aécio Neves que terá no Senado sua vitrine. A popularidade no estado de origem e a associação a figura do avô – tem aí a própria capacidade de articulação herdada de Tancredo - o credencia, sem dúvida, ao páreo.

Mas o domínio interno dos paulistas o faz a passar pela artimanha da composição. Somente ao lado de Geraldo Alckimin poderá ousar vôos maiores.

Mas e José Serra? Seu caminho agora parece decisivo para desvendar os rumos do partido. A derrota para a “sombra” de Lula – condição que Dilma deixar de ter a partir de agora – o deixa numa perspectiva desfavorável e pouco confortável para desejar uma nova empreitada rumo ao Planalto em 2014.

É fato que a dinâmica política permite mudanças bruscas e quatro anos é muito tempo para qualquer previsão taxativa neste sentido. Se a liderança de Serra for minimizada internamente, como reação natural a ala progressista perde espaço empurrando a legenda para que assuma uma postura mais liberal, fugindo de vez da sua origem.

A especulação em torno do futuro político de Serra abre o leque de especulações e as possíveis construções políticas para os cenários futuros. Em torno dele passa as mudanças no partido e em toda conjuntura político-partidária do País. Por isso a pergunta permanecerá por algum tempo: E agora José?

sábado, 3 de julho de 2010

Eleição de outubro dá sinal da disputa pela prefeitura em 2012



As eleições de outubro revelam uma verdadeira disputa pela prefeitura em 2012. Sob o manto das candidaturas a deputados, políticos dão o tom da disputa municipal a 2 anos do pleito.

Nos bastidores, vários dos candidatos admitem a intenção de disputar a eleição municipal. Mas, para isso, o resultado das urnas em outubro será decisivo.

Das cinco candidaturas a deputado estadual, pelo menos três pode ter reflexo direto em 2012. Uma delas é a do próprio ex-prefeito Pompilio Canavez (PT) que não pode ser candidato em 2012. As duas vitórias seguidas (2004 e 2008) o tornou inelegível em 2012.

Uma eventual vitória de Pompilio para Assembleia Legislativa fortaleceria a candidatura do atual prefeito Luiz Antônio da Silva (Luizinho/PT), nome natural do grupo político de situação no processo eleitoral de 2012. A dúvida ficaria por conta da definição do candidato a vice na chapa.

Todos concordam que ainda é muito cedo para qualquer definição, mas admitem que o resultado de outubro será fundamental para as articulações visando 2012.

A entrada dos nomes de Eliacim do Carmo de Lourença (PCdoB) – candidato a prefeito em 2008 – e de Décio Paulino (DEM) – candidato a vice-prefeito também em 2008 – aumentaram ainda mais a conotação do jogo eleitoral com vistas a 2012. Os dois anunciaram suas candidaturas a deputado estadual.

Caso não consigam emplacar uma vaga na Assembleia Legislativa, mas obtenham uma votação expressiva em Alfenas, reforçam seus nomes para 2012.

Entre os grupos de oposição há uma tendência para estratégia de união para que haja uma candidatura única para enfrentar a candidato petista. Em novembro do ano passado vários partidos de oposição começaram a se reunir para articular uma coalizão de partidos visando 2012. Mas aos poucos o grupo se dividiu.

No grupo ligado a Marcos José Duarte (Marcão/PPS), candidato a prefeito em 2004 e 2008, a candidatura de Décio é vista com desconfiança. Um resultado expressivo nas urnas poderia ameaçar a condição – tida por eles como natural - de Marcão como cabeça de chapa do grupo que reúne partidos como PPS, DEM, PP, PSB e PV.

Mas, na semana passada, Marcão anunciou apoio a candidatura de Décio e a do vereador Sander Simaglio (PV). Este último para deputado federal. Nos bastidores a intenção é que os candidatos em 2010 manifestassem apoio a Marcão em 2012.

Sander é outro nome, que embora não assuma sua pretensão a candidatura majoritária, admite o fortalecimento de sua imagem política caso obtenha um bom resultado nas urnas. Condição que pode habilitá-lo a uma alternativa para a disputa majoritária em 2012.

Outro nome é o de Eliacim, que poderia polarizar com os petistas o eleitorado com perfil ideológico de esquerda. Candidato a prefeito em 2008 após três mandatos como vereador, o seu nome é naturalmente lembrado para a disputa de 2012 como candidato de terceira via, opondo-se a situação e a oposição tida como conservadora.

Ilustração:
Erick Vizoki

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Nota sobre o Alfenas Hoje


Venho a público manifestar que o portal Alfenas Hoje tem colocado, ao longo de seus 3anos de existência, uma linha editorial cuja a liberdade tem sido uma das característica. Tal proposta, de oferecer informação isenta e com o único comprometimento de levar ao leitor o melhor produto jornalístico possível, alcançou, segundo a nossa análise, um resultado satisfatório, o que pode ser medido pelos acessos e, consequente, repercussão diária do material informativo postado.

Este contexto permite analisar que seguimos o caminho certo ao adotar uma linha editorial na qual se preza a credibilidade do veículo de comunicação. Pois bem, desde o início há uma ampla força contrária de uma camada, cujo envolvimento político-partidário está cristalizado, incumbida em levantar questionamentos “maldosos” e infundados quanto a idoneidade de membros deste portal no intuito de afetar a credibilidade conquistada.

Há que se registrar que a mesma força contrária ao sucesso deste portal, na tentativa inicial de minar diretamente o mesmo (na época que ainda se um constituía como site, em 2007), buscou meios de denegrir diretamente o conteúdo produzido num primeiro estágio de vida do então site. Sem efeito, buscou minar anunciantes.

Nenhuma dessas tentativas surgiram efeito porque, acreditamos, que o portal atingiu o que mais estes temiam: o respeito de seus leitores o que tem crescido a cada dia (o que pode ser comprovado numericamente por meio de registros estatísticos). E este é o reflexo de todo nosso trabalho e esforço na luta pela credibilidade.

Diante de todo este contexto, já se tornou rotina o lançamento de informações falsas e maldosas, incorporadas em “fofocas”, contra o portal e seus membros com o objetivo claro já mencionado.

Concluindo, qualquer que seja o questionamento lançado quanto a credibilidade do portal Alfenas Hoje é fundamental que não se perda de vista o verdadeiro objeto a ser analisado: o conteúdo do próprio portal. É ele o foco real das observações e das quais não nos furtamos ao debate.

Qualquer desvio a esta lógica caracteriza-se, mais uma vez, o intuito claro político-partidário de desvirtuar o verdadeiro debate na intenção que foge ao esclarecimento. Esperamos dos leitores – e não me refiro àqueles cujas intenções são conhecidas – a vigilância constante e metódica do conteúdo do portal o que acreditamos ser salutar para o aprimoramento constante do produto jornalístico oferecido.

Não pretendemos aqui atingir a todos, pois isto incluiria aqueles com intenções duvidosas. Somente pretendemos lançar um ponto de reflexão as pessoas que acompanham este portal e são desprovidos de qualquer intenção negativa em relação ao mesmo.

domingo, 18 de abril de 2010

Momento Extremo



O episódio envolvendo a senadora Marina da Silva e o vereador alfenense Sander Simaglio, ambos do PV, (leia aqui) traduz uma situação antagônica no ponto de vista eleitoral.

As semelhanças no esquerdismo de bandeiras sociais foi o que menos pesou num embate reduzido a um tema especifico no qual os dois representam segmentos tão distintos da sociedade.

O saldo, sem dúvida, ficou invertido. Quem teve a perder foi Marina por não antever uma situação que poderia eclodir na sua corrida pelo mandato presidencial. Aliás mesmo em outras disputas, mas muito mais agora que tem a sua frente todos os segmentos da sociedade clamando posições explicitas.

Mas é fato que jamais imaginaria que a saia justa viria como fogo amigo, dentro de sua base partidária. O fato é que lançar-se em uma disputa tão heterogênea merece definição de posições às vezes que se chocam com uma das correntes de pensamento da sociedade, inevitável postura de risco eleitoral.

“Existem pessoas que fazem de um jeito e eu faço de outro (...) Ser aliada nãos
significa ser aliada em tudo. Eu não vou levantar bandeira como não faço em
relação as demais. Eu sou aliada, mas não sou o movimento em si e sempre faço
questão de diferenciar”.

A frase acima é de Marina e remete a uma lógica incontestável. Por ela, Marina se guia em sua conduta o que a coloca em seu traço característico de personalidade. Mas no “aué” do mundo político-eleitoral pode – sem dúvida – não ser o melhor caminho. Lula já havia percebido isso.

Se para Marina o episódio foi árduo, para Sander surgiu como oportunidade de alavancar-se num cenário além do que habitualmente estava restrito. Pré-candidato a deputado estadual, para ele não poderia ser melhor no que refere-se a projeção enquanto líder de um segmento que cada vez mais mostra a cara e pressiona a sociedade pela adoção de suas reivindicações.

Com isso, Sander costura sua trajetória política sem perder a oportunidade de projeção da imagem. Entre ações, discursos e posicionamentos não se despreza a oportunidade de escalar mais um degrau na ambição pelo topo.

Oportunismo ou não. O que é explicito é a capacidade de aproveitar as situações para construir sua escalada. Configura-se, aos poucos, como uma alternativa de peça no tabuleiro do poder.

Ambicioso, o pragmatismo de suas ações o eleva a uma camada acima. E é para isso que trabalha. Aonde vai parar? Esta é a incógnita.

Imagem retirada da foto original de André Novais/Divulgação

segunda-feira, 29 de março de 2010

De Olho no futuro


Odiado pela oposição e hegemônico em sua base partidária, Luizinho assume a prefeitura com o olho no futuro. Definitivamente, não se trata do vice que assume o Poder “por acaso”. A chegada ao topo da administração é uma escalada articulada passo a passo.

De perfil estrategista, o novo prefeito encaixa-se no rótulo de um obstinado pela política. Os aliados costumam atribuir a característica de alguém que respira política 24 horas. E está aí uma das peças chaves de sua trajetória político-partidária.

Conquistou a incomum hegemonia no PT, partido conhecido pelas suas fragmentações e fervorosas disputas internas, devido ao amplo leque de correntes ideológicas que abriga.

A capacidade de articulação e de definir estratégias também se revela no outro lado da moeda. É o alvo preferencial do ódio e da preocupação dos adversários que têm nele uma ameaça de perpetuar-se no Poder.

O fato é que 30 de março não será somente a data em que assume oficialmente como prefeito, mas a largada para 2012. Candidato natural, apostará todas as suas fichas na consolidação de seus projetos e na construção de uma imagem positiva junto aos eleitores.

Se os adversários o têm como um futuro candidato sem o mesmo potencial de votos de Pompilio é bom que não cristalizem este pensamento. O perfil estrategista revela um político meticuloso capaz de trabalhar sistematicamente suas deficiências e colher os frutos na dormência de adversários que não têm – digamos - a mesma paciência diante dos detalhes.

As eleições de outubro serão cruciais para os projetos políticos do petista. Unidos em torno de um único projeto político, Luizinho e Pompilio formam uma dupla que atuam em coordenação constante. O passo de um reflete no do segundo.

Uma vitória de Pompilio poderá significar irremediavelmente numa composição de força que poderá empurrar o PT para o terceiro mandato. A definição da presidência da República e do Palácio da Liberdade também são peças deste jogo de xadrez. Todo detalhe é válido para decifrar o melhor lance.
É por isso que os adversários políticos fazem “figa” contra qualquer movimento petista. Sabem que o perigo é real e manifesta-se a cada jogada no tabuleiro. E a cada jogada, os olhos atentos se fixam num futuro que tem data definida: 2012.